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Viveiro visitou na quinta a Feira do Artesanato do Sebrae, em São Paulo. Uma ótima chance de conhecer iniciativas de como ser sustentável, aproveitar a natureza e ao mesmo tempo produzir lindas peças. Também foi um passeio pelos estados do país sem sair de São Paulo, já que na feira é possível encontrar estandes de todas as partes desse Brasil. Aqui vou destacar alguns itens que chamaram a minha atenção pelo material e principalmente pelo dedinho de prosa com os artesãos, uma simpatia de gente que tive o prazer de conhecer no vai e vem  desse evento.

As bijus do Amazonas

Colares feitos de semente, anéis de restos de madeira e marfim vegetal, pingentes do couro do pescado. É só com esse tipo de material que possivelmente iria para o lixo, mas que o grupo de artesãos de Neidy Silva dá um jeito de aproveitar que os acessórios da Cores da Mata são confeccionados.

A banquinha da dona Neidy foi a primeira na qual eu parei. Fiquei encantada com esse anel (foto abaixo). É lógico que levei! A gente vai pra fazer matéria e acaba gastando. Faz parte!

“Esse anel foi feito com jarina, nosso marfim vegetal. Quando ela é novinha, nas aldeias, você toma a água do fruto e a polpa. Depois que a semente endurece, nós cortamos com a serra fita e usamos para fazer os anéis. Os pedacinhos de madeira a gente recebe de doação de artesãos que fazem trabalhos maiores.”, conta Neidy.

Ela também trabalha com a árvore do tucuman. “A palmeira vale muito mais de pé do que derrubada, porque na safra dá um fruto que serve para fazer sorvete, hambúrguer, o X-caboquinho (confira aqui a receita) e ainda nos dá o caroço para o artesanato!”, agradece a amazonense, fã da natureza.

As luminárias de coité de ALagoas

Pra nós da região sudeste,  coité é um nome estranho. Logo que eu vi, pensei se tratar de um coco. Mas na verdade é um outro fruto. Normalmente são usados como caixas de ressonância de berimbaus e recipientes para líquidos e medidas.

Mas tem gente que resoveu dar uma utilidade ainda mais criativa para essas cabacinhas e transformá-las em luminárias.

“Primeiro, você deixa o coité secar. Depois, ele é cortado e tirado tudo que tem por dentro, lixado por fora, feito um desenho, os furos e pintamos do lado interno e externo com tinta a base de água. É aplicado resina também a base de água e em seguida verniz. Aí é costurado e por último feito a instalação elétrica que proporciona esse colorido agradável.”, explica o passo a passo na maior naturalidade o artesão Enalro Luis Rochade, do Coité Ilumiado e que faz isso fácil fácil!

Brinquedos de buriti do Pará

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Imagine um brinquedo leve feito papel! ” Mais leve é a sua consciência!”, diz logo o artesão Ivan Leal, do Artes Miriti Pará. Isso porque os brinquedos que produz são todos feitos ecologicamente. A matéria- prima é o talo da palmeira, a parte que dá acesso à folha. “Um dia essa folha iria cair. A gente dá um jeito de ser o cabeleireiro dessa palmeira. Antes que ela caia, a gente vai lá, poda, tira o talo para fazer cestaria e o que seria para jogar fora a gente usa para fazer o artesanato. E faz tudo isso sem derrubar a palmeira.”, conta o artesão.

As folhas da palmeira que é encontrada em toda a Amazônia brasileira, no nordeste, na Amazônia peruana recebe o nome científico de Mauritia flexuosa. Mas de acordo com a região ganha um apelido. Na Amazônia brasileira é miriti. No nordeste buriti e no Peru, aguaje. Mas para Ivan é a palmeira abençoada, pois dela é possível aproveitar de tudo, do fruto, da folha, do talo.

“Eu não acredito em papai noel porque ele nunca levou presente pra mim. Não sei se ele tinha dinheiro porque tinha muita criança na minha casa. Toda criança precisa brincar. É uma necessidade. E nós não tinhamos outra matéria prima diferente a não ser o miriti. Aí , como nós morávamos na beira do rio, a gente fazia os barquinhos. Crescemos e unimos o útil ao agradável: continuamos brincando e ganhando dinheiro!, revela a eterna criança, ops, o artesão!

Bolsas de junco do Rio Grande do Norte

Você já tinha imaginado que para confeccionar bolsas tinha que ser corajoso, aliás corajosa? Pois pra mim é essa a melhor definição para Maria Josinete Alves do Nascimento, ou Josa, como é mais conhecida em Piranji, onde se encontra o maior castanheiro do Rio Grande do Norte. Uma vez por mês, ela e o filho saem colher junco em lagoas de Nísia Floresta. O Junco é matéria prima para o seu artesanato. E só é encontrado no fundo das lagoas. “A gente pega um caminhão e passa o dia todo colhendo. A lagoa tem seis metros de fundura. A gente senta nas câmeras de ar. Aí fica uma parte do junco fora da água e a gente puxa a raiz.”, conta a artesã, que diz que a tarefa é feita no meio de muita cantoria, risada e brincadeira.

Mas então por que a coragem? Bem, a lagoa tem seis metros de profundidade! Eles não vao com nenhum equipamento de segurança, a não ser a bóia. Até aí, basta saber nadar. Mas a lagoa está cheia de cobras e jacarés!! “Várias pessoa não vão por medo. Mas eu sou um pouco teimosa. Por isso, que a tradição está um pouco caindo.”, revela Maria

Depois que o junco é colhido, o material fica secando por cerca de uma semana. Assim que sai da água ele é verde e conforme começa a desidratar vai ganhando essa cor bonita amarelada, meio marrom. Aí começa o trabalho da artesã e do seu grupo firmado por cinco pessoas e do qual até a netinha de cinco anos já participa.  Maria Josinete mesmo começou a trabalhar com junco aos 12 anos ensinada pelo pai. Hoje aos 58 não pensa em parar tão cedo. Leva mais ou menos um dia para fazer uma bolsa. Já os tapetes são um pouquinho mais demorados. Um de cinco metros pode levar até um mês para ser produzido. Mas vale muito a pena. ! “É muito bom trabalhar com a natureza. Eu sei um monte d outros tipos de artesanato. Mas o que eu gosto de fazer e o que sustenta a minha família é esse. Eu vou dormir de madrugada fazendo isso aqui e não ligo.”, diz a sempre animada Maria.

As ecojoias de Sampa

Escolher com quem trabalhar precisa ter significado. Aqui no Viveiro a gente acredita muito nisso. Loli Colpa também! Ela vem de uma carreira do teatro de bonecos, mas descobriu nas bijuterias feitas de papel, tecidos, cápsulas de café e outros materiais recicláveis uma forma de expressão. Há 15 anos utiliza resíduos coma matéria prima para fabricar bijuterias. A principal delas é o papel. ” Comecei fazendo as bijus de papel resgatando a técnica, que é muito antiga de origem desconhecida. E aí eu fui chegando em novos formatos. Hoje eu tenho mais de 80 formatos e mais de 400 colares.”, explica.

Loli reaproveita também o tecido sintético. “Eu foco o trabalho em tudo que eu posso falar a respeito e o tecido sintético demora muitos anos para se decompor e não é muito legal para o ser humano usar, então eu utilizo ele nos acessórios para falar sobre essa questão.”.
A vontade de trabalhar com o tema surgiu já na adolescência. “Eu morei quando jovem numa cidade que era muito legal, tinha muita natureza e de repente veio uma usina de álcool e e eu vi na pele o que é uma devastação. Eles podiam desmatar 20% e na verdade desmatavam 80 e deixavam 20. Invertiam a lei. Eu tinha 17 anos e aí eu comecei a ter uma consciência eco.”, relembra.

Ouvir as histórias diretamente de quem faz os produtos é maravilhoso. Comprar de quem faz é melhor ainda, porque a gente estimula a continuidade desse trabalho que tem tanto significado e traz pra gente um pouquinho do mundo de cada pessoa desse Brasil gigante!

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Comentários
  • Enauro Luiz Rocha Costa
    Responder

    Parabéns.
    Matéria excelente e obrigado por valorizar a nossa arte.
    “Eu tenho pra mim quê o Artesão é feito do tanto de amor quê não coube no peito e escorreu para as mãos”

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