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ara que serve um mentor? O que faz? Como faz? E para que eu preciso de um? O blog do Viveiro explica!

 

Quando uma pessoa decide empreender, muitas vezes ela só tem uma ideia e não sabe bem como tirar todos aqueles insights da cabeça e traduzi-los de uma forma clara para o papel (muito menos para fora dele). Ou já desenvolveu bastante o seu projeto, mas não consegue pensar na viabilidade financeira daquilo, identificar o seu mercado consumidor etc. Em outras ocasiões está tudo muito bem definido, falta apenas entender como alavancar o marketing do seu produto ou serviço para que ele seja um sucesso ou até quem sabe expandi-lo para o mercado internacional.

São nesses momentos de dúvidas que a visão de quem já viveu as mesmas angústias se torna essencial. Conselhos de alguém que possa apontar certos caminhos (não necessariamente caminhos certos 🙂 ). Mas veja bem, muito diferente de escolher as rotas para você, essa pessoa vai dar indicações, sugestões, palpites levando em consideração as suas próprias vivências de mercado. A decisão final continua em suas mãos. Então, nada melhor do que dividir com quem entende do riscado os seus dilemas do que ter que explicar para aquele baita amigo (mas que não entende nada de finanças) qual seria o melhor modelo de negócios pra se optar naquele momento de sua startup, você não acha?

Resumindo, essa é a importância de um processo de mentoring, ou traduzindo para o português, do papel de um mentor. Ser um orientador, uma espécie de psicólogo, ombro amigo e às vezes meio mãe (quando rolam aqueles puxões de orelha) no momento em que você está buscando empreender ou já efetivamente colocando a mão na massa.

Mentor x Mentorado

A partir do momento que o empreendedor recebe o acompanhamento de um mentor, ele passa a ser mentorado. Esses encontros nos quais o empreendedor vai passar a captar as dicas do mentor, tirar dúvidas e traçar melhor seus objetivos podem acontecer de maneira bem periodizada e objetiva para que as metas sejam atingidas. Mas existem diversos estilos de mentoria. O importante é ver qual o modo a que o mentor e o mentorado mais se adaptam.

Gabriela Besser, do Portal Superação, conheceu o mentor do seu projeto Edgard Morato, do Saútil, em 2014, quando participou do Social Good Brasil Lab (SGB Lab) junto com Letícia Taveira, que hoje não faz mais parte do negócio. No processo, que durou 4 meses e tem como objetivo viabilizar projetos que usam as tecnologias e as novas mídias para melhorar o mundo, o match entre eles aconteceu principalmente por causa do tema e do vínculo com o mundo digital. O Portal Superação conecta pessoas que lutam contra o câncer com outras que já venceram essa batalha. Uma plataforma de cooperação mútua pela cura. Já o Saútil é uma plataforma que ajuda a população a encontrar de forma simples os recursos de saúde oferecidos pela rede pública.

Passo a passo

Durante um mês, os três realizaram sete reuniões de uma hora e meia. “No primeiro encontro, trabalhamos as taxas de conversão de internet. Foi o Edgard que explicou pra gente sobre isso, que tem o funil, ou seja, as pessoas que entram no site, mas que precisávamos da conversão, que as pessoas entrassem e voltassem no portal”, conta Gabriela.

A cada encontro, o mentor ia focando nos temas de mais necessidade para as mentoradas. “Na segunda reunião, ele já passou uma planilha de métrica que costumava usar, alertou sobre questões jurídicas, foi dando os passos que ele sabia que a gente iria precisar depois“.

Edgard que também teve contato com diversos mentores junto com seu sócio, o médico Fernando Fernandes, quando o Saútil passou por um processo de aceleração pela Artemísia, em 2012, conta que usou com Gabriela e Letícia um modelo chamado lean startup. “É um processo de startup enxuta para desenvolver protótipos, testar. Se você quer fazer um site de pesquisa, não precisa construir efetivamente a ferramenta de busca completa, com todas as funcionalidades. Você pode apenas fazer a página inicial para ver se o usuário entra. Se começar a ter cliques, aí vai testando por diversas pitadazinhas de marketing, imagem etc. Conforme for tendo mais receitas, você começa a resolver o site de forma mais parruda. Nesse processo lean startup, leve e ágil, em um mês e com pouca receita, você faz. Se a gente fosse começar o Saútil do zero, a gente começaria dessa maneira”.

Extramentoria

Gabi teve sorte porque pode contar também com o auxílio de um mentor informal. Guilherme Atsumi, que participava do evento mentorando outros projetos, também deu dicas para o Portal Superação. Hoje ele é gerente de inovação aplicada ao ensino na universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Mas quando entrou em contato com o processo de mentoria trabalhava como consultor na TOTVS e era integrante de um grupo que orientava estagiários no desenvolvimento de carreira. “Vi como era legal ajudar minimamente as pessoas, tirar dúvidas, questões existenciais e como quando você tem uma opinião de fora e isenta de qualquer vício acaba que você tem um olhar melhor, dependendo da situação. Sem contar a experiência, porque o que as pessoas falam muitas vezes você já viveu, então você tem insumo para falar a respeito”, relembra.

Apesar da sua formação em engenharia de produção, Guilherme considera que para projetos em fases iniciais, as dificuldades geralmente são muito parecidas. “Em fases embrionárias, os problemas acabam sendo os mesmos pra todas as pessoas que estão começando a ‘botar o carro na rua’, como por exemplo, fazer modelo de negócio, prospecção, saber vender, divulgar produto e serviço”.

Gabriela não é mais acompanhada pelos mentores, mas sabe que qualquer dúvida pode contar com eles. Inclusive as entrevistas do Viveiro foram uma boa desculpa para uma reaproximação. “É legal manter contato com as pessoas que conhecem seu negócio do início”, esclarece um dos sócios do Saútil. A criadora da plataforma acredita que a mentoria foi um processo muito importante para ganhar segurança no próprio empreendimento. “Se eu for começar outro projeto agora, eu já vou voar. Um passo que eu dava antes, já vou poder dar dez”. E isso é uma certeza.

Desde o SGB Lab o Portal Superação só cresceu. Hoje são 150 participantes no projeto Anjos da Superação, que conecta superadores (paciente ou familiar que vive o câncer e precisa de apoio), anjos (paciente ou familiar que já passou pela doença) e arcanjos (voluntário que cuida dessa relação). A plataforma também já conta com o apoio da FIAP (Faculdade de Informatica e Administração Paulista) para automatizar o processo em um aplicativo, o que auxiliará a expandir o projeto para 10 a 50 mil participantes.  Para ajudar a fortalecer essa corrente clique aqui.

Um outro encontro no SGB Lab

Hélder de Azevedo vem de uma carreira executiva em empresas de alta tecnologia e começou a dar mentorias quando surgiram pedidos nas redes sociais para que ele opinasse em algumas ideias em sua área de atuação. “Começou mais como uma orientação pontual, às vezes networking. Mas quando percebi que o que eu fazia tinha um valor, comecei a estender. Fazia uma reunião, a ideia me agradava como potencial investidor, eu dizia assim para o pessoal das startups: você quer que eu mentore e seja um pseudo bord member? Porque o futuro do mentor do ponto de vista do desenvolvimento do negócio é que ele vire um conselheiro da empresa. E esse caminho me interessa”

O mentor conheceu Fabiana Dias (sim, a Fabi, que também é uma das sócias do Viveiro) e Kátia Sartorelli também no Social Good Brasil Lab, em 2014. Para Hélder, um bom empreendimento precisa ter impacto e ser escalável. Foi por isso que ele escolheu mentorar o negócio das empreendedoras. “O 100pepinos tem esse poder de transformação, porque leva em um linguajar que ninguém faz a solução para quem tenta se virar para melhorar o lugar que vive e também tem uma possibilidade de escalar”, explica.

O 100pepinos é uma plataforma que descomplica informação técnica sobre reforma, aquele tecnês que só arquiteto entende, onde é possível identificar e prevenir pepinos comuns em obras e encontrar dicas de como resolver os mais diversos problemas durante o quebra-quebra.“A presença do Hélder é fundamental pra gente. Além dele ser perfeito nas suas colocações, ele é nosso ampliador de horizontes.  Não é fácil empreender, e a presença do mentor ajuda a gente a se manter no eixo, a trabalhar bem, a buscar caminhos. Inesquecível o Hélder na plateia, fazendo sinal de positivo, dizendo que ele estava ali no nosso primeiro grande pitch, quando fomos finalistas do Social Good. Se querem uma dica pra empreender? Busquem um mentor!”, conta entusiasmada a Fabi.

Do papel de pão ao canvas

Labbers Social Good Brasil
Labbers Social Good Brasil

As empreendedoras que passaram pelo SGB estavam com o empreendimento em fase inicial quando começaram a mentoria. Mas existe um momento certo para ter esse acompanhamento? Hélder acredita que não. “Uma vez eu dei uma orientação para um ex-funcionário e ele não tinha um pedaço de papel de pão, um slide sobre sua ideia. Veio apenas tomar um café comigo. Aí eu expliquei para ele o que era canvas, pedi para organizar melhor o projeto. É claro que quanto mais estruturada a pessoa estiver, mais avançada a conversa fica.”, conta.

Um negócio para pés pequenos

Tania Gomes, da 33&34, seguiu o caminho inverso. O mentor João Kepler apareceu em sua vida depois que o negócio já estava rodando. A sócia majoritária da empresa de calçados com essa numeração começou a empreender muito cedo. Aos 15 anos já atazanava a vida dos pais para que eles a emancipassem, pois queria vender batidas com o namorado na praia. Ela conseguiu o feito muito porque os próprios pais já eram empreendedores e não tinha medo de correr riscos, mudar de negócio quando viam que não estava dando certo.

Anos depois da temporada das batidas, Tania se dedicou ao mundo coorporativo. Mas chegou uma época que quis trocar a carreira nas grandes empresas pelo próprio negócio. Junto com mais três sócios criou a Underdogs, uma agência de marketing digital. Em três anos, com uma carteira muito boa de clientes, a empresa recebeu uma oferta de um grupo de investidores europeus. Decidiram vender a empresa, mas continuaram como acionistas. A empresária só percebeu que era hora de se desapegar de sua parte, quando começou a se sentir desconfortável com os rumos que as coisas tomavam. “Eu lembro muito bem no dia em que eu decidi isso. Eu chegue na empresa, que já estava com 120 funcionários, e eu não conhecia a recepcionista e ela também não sabia quem eu era. Eu não tinha nem participado nesse processo de contratação. Naquele momento, percebi como me sinto infeliz quando trabalho com as pessoas e não sei quem elas são, nem quando elas entraram, de onde vieram. E empreender pra mim é muito isso. Então resolvi vender minhas ações”.

Foto: Divulgação

Após se desvincular da Underdogs e realizar uma viagem para Nova York, onde pode aprender muito sobre atendimento ao consumidor, Tania voltou disposta a empreender e a resolver um problema que sempre enfrentou. “Eu uso sapato 33 e durante toda a minha vida tive grande dificuldade de encontrar sapatos na minha numeração, porque a produção no país é muito pequena. Só 3% da produção brasileira é voltada para o público que usa essa numeração 33/34 modelo adulto. E só uma mulher, que já teve a experiência de comprar sapato em uma loja infantil entende como isso fere a autoestima”.

Tania, que tinha administrado antes a Underdogs, sabia como era empreender. O marido era sócio na agência e agora também fazia parte do projeto. O que tentou fazer para minimizar erros foi reunir em um mesmo time pessoas com diferentes competências. “Com quatro sócios de áreas bem específicas, a gente conseguiu modelar muito rapidamente o nosso negócio. Nesse processo contou muito mais a experiência de cada sócio do que uma mentoria externa”. Juntos, o grupo montou a única loja online multimarcas e com marca própria na numeração 33/34 para um mercado de 5 milhões de mulheres, que compram em média 5 pares de sapatos por ano.

Primeiro o negócio, depois o mentor

Foi nesse momento em que a marca já estava desenhada que João Kepler começou a mentorar a 33&34. “A mentoria é muito necessária para quando você esta projetando o negócio, mas ela é essencial também quando você começa a rodar, porque aí é que você vai perceber situações que antes não tinha referência. Eu hoje tenho proximidade de perguntar para o João. Eu não preciso cometer o erros, às vezes uma conversa com ele me faz ganhar não só tempo, mas qualidade no que eu vou executar.”

Além de João Kepler, Tania Gomes conta com os conselhos de Camila Farani, do MIA, Mulheres Investidoras Anjo (grupo formado por Camila, Ana Fontes e Maria Rita Spina que busca atrair mulheres para investir em startups no Brasil e apoiar mulheres a criar negócios inovadores). “Todas as dores que tenho, ela me entende e também me devolve com soluções. A missão dela é investir em pessoas que queiram ser empreendedoras de sua própria vida. Para as mulheres que estão empreendendo é um grande desafio, porque a gente vive num momento com tantas mulheres líderes de organizações, mas tem poucas querendo trocar aprendizados.”

O e-commerce que além do Brasil, pela busca orgânica na internet, acaba atendendo Estados Unidos, Portugal e Angola, busca um modelo de expansão e começa com a abertura de um showroom em São Paulo, no começo de agosto. O local vai receber clientes para darem um feedback a indústria e também vai servir de espaço de eventos para o público feminino, como workshops de salto alto, maquiagem,  happy hours etc. “A execução do negócios em si não é difícil, mas para onde você vai levar sua empresa e seus sonhos sim. O João e a Camila me ajudam a construir a estratégia do negócio focando nisso.”

Dois empreendedores, muitas semelhanças

Tania e Anderson tem algumas coisas em comum além do sobrenome. Embora não sejam parentes, ambos ostentam o Gomes após o primeiro nome. Os dois também tiveram o mesmo mentor em seus negócios. E no labirinto das coincidências, a veia empreendedora latente desde muito novos. Tania pediu a emancipação aos 15 anos para vender batidas na praia. Anderson se arriscou nos negócios ainda mais novo. Aos 11 não se emancipou, mas começou a vender gibis usados para os amigos no bairro onde morava em São Paulo. Hoje, em Florianópolis, se dedica à mentoria. Tudo começou com seu interesse por marketing digital, área de formação.

Se por um lado a startup fazia um enorme sucesso, a agência entrava em falência por um problema de parceria. Mesmo assim, Anderson não desistiu e depois de acertar as contas e com a Daily Baby rodando, resolveu abrir outra agência. Foi só quando viu que os interesses operacionais dos sócios não caminhavam com o que desejava para a sua vida pessoal que decidiu vender suas ações e usar seus conhecimentos em outro rumo. “Chegou um ponto que eu vi a necessidade das empresas saberem atuar com digital e para isso é preciso uma mudança de mentalidade, posicionamento, comportamento por parte dos gestores. Depois de ter atendido uns 10 clientes de consultoria, tive a ideia de mentorar essas pessoas, porque com a mentoria do João Kepler eu consegui mudar a concepção do meu negócio. Aprendi muita coisa com ele e comecei a dar valor ao papel do mentor dentro da construção de um negócio e de sua manutenção”.

Quando desistiu da carreira em grandes corporações, resolveu abrir a própria agência com mil reais. Em dois anos, a empresa já estava avaliada em R$ 800 mil. No meio disso tudo, foi pai e teve a ideia de criar a Daily Baby, um aplicativo gratuito que serve para as mamães registrarem informações importantes sobre seus bebês, uma espécie de diário virtual, que pode ter início ainda durante a gestação.

Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia!

Foi isso que Anderson fez. Hoje, ele realiza uma mentoria em grupo chamada Mentes-Pró, com 27 empreendedores. E ao total possui 35 mentorados. “O meu foco é preparar a pessoa pra ter mais geração de receita através do digital, faço um link entre o canal digital da pessoa e o físico.” Os programas de mentoria oferecidos por ele variam de dois a seis meses. Mas o empreendedor pode encontrar um mentoria de um dia também. “Essa é para pontos mais específicos. Eu chamo de mentoria de emergência. Você tem que tomar uma decisão ou você está com uma dúvida muito grande. É algo que você não pode esperar muito tempo, como uma reunião de negócios muito importante em que a pessoa não está 100% confiante, o fechamento de um negócio que pode impactar de uma forma grande dentro da empresa, problemas de gestão, resolução de conflitos lançamento de um produto”.

João Kepler foi mentor de Anderson na Daily Baby. Hoje eles são sócios. Mas para o criador do diário virtual dos bebês, Kepler será sempre seu mentor. “Com ele, eu aprendi que você pode ter a melhor ideia do mundo, mas se essa ideia não resolver um problema de um número grande de pessoas, não adianta. Tem que ter um foco na rentabilização, mas tem que ter um impacto muito forte de ajudar, de compartilhar.” Anderson está seguindo os passos de seu guia. Hoje, além da Daily baby, também é sócio da Daily Pet e da OH! Educação, escola de empreendedorismo criada por Cris Bazam, empresário de Sertãozinho, no interior de São Paulo, de quem Anderson foi mentor e agora é parceiro. O ciclo se fecha.

Uma germinação para negócios sociais

Fernando Vezzani faz parte de um grupo de universitários dedicados a promover o empreendedorismo de impacto. Ele cursa Administração na Faculdade de Economia e Administração da USP e desde abril de 2015 faz parte da FEA Social. Primeiro desenvolveu projetos de consultoria com ONGs, mas agora está 100% dedicado à coordenação de um setor de negócios sociais dentro da organização.

Ele é o co-fundador de uma das primeiras germinadoras universitárias no Brasil, totalmente construída e gerida por universitários com foco específico e especializado em Negócios de Impacto Social. “A gente viu que tem um gap muito grande entre as pessoas que tem uma ideia até elas conseguirem chegar num nível de conseguir uma aceleração. Por isso, vamos ficar nesse meio termo entre a ideação e a aceleração. Pegar uma pessoa que está com uma ideia e já quer tirar do papel, mas não está madura o suficiente para conseguir uma aceleração. Esse é um caminho totalmente novo”.

Fernando espera começar a divulgação do novo serviço, que será totalmente gratuito, no final de julho, e logo começar uma seleção dos empreendedores. O processo de mentoria de negócios sociais deve durar cerca de 3 meses. “A gente vai basicamente oferecer ferramentas, mas não vai resolvê-las. Serão reuniões semanais com uma co-aceleração. Vamos trabalhar com três empreendedores ao mesmo tempo para que um consiga ajudar o outro. Essa mentoria vai passar por três processos: mercado, usuário e MVP. Daí a gente vai a campo validar tudo pra ser basicamente um ciclo. Mas na verdade, não vai ter começo, meio e fim. A gente pode chegar ao fim em uma semana e na outra já fazer o MVP e se precisar a gente volta e fica nesse ciclo até esgotar as possibilidades de criação.

Além do espaço e de seus próprios conhecimentos, os universitários vão oferecer a mentoria de especialistas, como professores e empresários que fazem parte da rede da FEA Social. “Essa ideia é mais para a pessoa conseguir dar um start no seu negócio. A gente até brinca que é meio que um cursinho para que a pessoa consiga pegar uma aceleração.”

Uma balada de empreendedores: Acelera Startup

Existem outras oportunidades para empreendedores que buscam uma mentoria gratuita. Mesmo que seja apenas de um dia. No Acelera Startup, da Fiesp, que teve sua mais recente edição entre 5 e 6 de julho, 250 empreendedores em fase pré-operacional e operacional puderam participar de dois dias de um evento muito rico para quem está buscando construir o próprio negócio. O concurso foi criado em 2011, mas somente em 2013 passou a oferecer uma tarde inteira de mentoria. “A gente percebeu que precisava dar uma atenção a mais para o empreendedor, porque ele não estava pronto para chegar na frente de um investidor e apresentar o seu negócio. Ele não estava pronto não somente para apresentar o pitch, mas em diversos outros aspectos, como marketing, questões jurídicas etc. Ainda precisava deixar a startup redondinha para chegar na frente do investidor”, contam Nathalia Freitas e Silva Martins de Brito, coordenadoras do Comitê Acelera Fiesp/CAF.

Dança das cadeiras

Foto: Everton Amaro/Fiesp

No primeiro dia, na parte da manhã, os 250 empreendedores selecionados, de um total de 4.500 inscritos, assistem palestras relacionadas a investimento e inovação. Já na parte da tarde, foi a vez de conseguirem a mentoria em diferentes áreas. O Acelera Startup possui uma base com 400 mentores. São profissionais do mercado das mais diversas áreas, especialistas e acadêmicos de universidades com as quais a FIESP tem parceria. Nesta edição participaram 170 mentores de áreas como comunicação, contratos, direito do consumidor, eletrônico, tributário, elevator pitch, fintech, inovação, saúde, marketing, games, propriedade intelectual, beleza, moda, têxtil, impacto social etc. Os empreendedores tiveram das duas às sete da tarde para conversar com os mentores individualmente, tirar dúvidas, buscar sugestões de caminhos a serem tomados. Nesses eventos, os mentores ficam sentados em mesas fixas com a indicação do nome e da área de atuação e quem roda são os empreendedores que têm de 10 a 15 minutos para esclarecer dúvidas e buscar conselhos.

Hulgo Sarmento, um dos fundadores do Comitê de Jovens Empreendedores, da FIESP, estava prestando mentoria de comunicação e se diz realizado do outro lado do balcão. “Quando nós éramos empreendedores, a gente tinha muita dificuldade de onde buscar informação, com quem falar. Geralmente o empreendedor tem uma ideia grande, mas um recurso pequeno. Esse evento veio para preencher essa lacuna. O empreendedor precisa saber da parte de comunicação, marketing, inovação de onde  ele pode buscar  recursos para viabilizar a ideia dele, se ela é viável ou não. E eu fico muito feliz de poder ajudar essas pessoas”.

Marcos Loest veio para representar a área de inovação e acredita que a mentoria é um exercício de expansão de seu potencial. “A gente recebeu muito. Eu tenho 30anos de trabalho na minha área. Ao mesmo tempo, a gente pensa que sabe muito. Aí a gente senta aqui na frente de uma startup e descobre muitas coisas boas”.

Ulisses Vieira de Morais também estava contente em poder colaborar. Ele é especialista em eficiência energética. “É um reconhecimento do nosso trabalho, quando somos convidados para participar de um evento desses. Sinal de que somos referência naquele assunto. É muito gratificante colaborar”.

Eduardo de Vasconcellos, que mentorou na área de acesso ao mercado, vê nesses eventos a oportunidade de um contato inicial.  “É uma primeira troca de identificação de interesses, que depois pode evoluir para algo com começo, meio e fim”.

Foto: Everton Amaro/Fiesp

Nas cinco horas, o empreendedor pode passar por quantos mentores de quantas áreas quiser. E ninguém ficou parado. Foi um troca-troca de mesas. Ou uma dança das cadeiras. Depende do ponto de vista!

Johnny Oliveira é estudante de administração e ainda está com o projeto em fase pré-operacional. Ele foi pai recentemente e através dessa experiência identificou uma oportunidade. Sua ideia é criar um aplicativo de localização de babás. “Basicamente é parecido com o Uber. Só que ao invés de chamar um carro, vou chamar uma babá cadastrada através da localização mais próxima e de acordo com as necessidades do cliente, para ficar 2, 4, 6 horas”, explica o empreendedor que buscou no Acelera mentoria de tecnologia para entender melhor o impacto que seu aplicativo  pode causar.

Luciana Penante também tem uma ideia bem bacana (que chegou a lista dos finalistas na categoria pré-operacional!!) O Leia.me é uma rede social com o objetivo de conectar leitores e autores. “Vim buscar mentoria de modelo de negócio porque eu descobri que já existem redes sociais parecidas e quero entender como diferenciar o meu”.

Já em operação, O Meu.guru quer ajudar as escolas a entender melhor o que elas precisam. “É uma plataforma onde a escola pode ver suas necessidades, escolher os aplicativos que mais interessa e unificar tudo em um só lugar”, explica Felipe Fajardo, que já tem dois colégios utilizando o MVP e espera entender melhor o acesso ao mercado com a mentoria.

Maiara Lemos veio para conversar com mentores de game, economia compartilhada e comunicação. Ela é a criadora do aplicativo Locauz, que tem o objetivo de inovar a forma como as pessoas contratam serviços (até agora atuando mais na região de Americana). “Hoje em dia, quando a gente contrata um produto, a gente encontra todas as informações, comparação de preços, pessoas avaliando online. Para viagem é a mesma coisa. Mas para contratar uma faxineira ou uma academia, você não tem isso. Acaba indo na que é mais perto da sua casa, pede indicação para um amigo ou vê na internet e tem que ir até o lugar fazer a cotação. A nossa proposta é agilizar e concentrar esse processo.”

No segundo dia, na parte da manhã, as startups passaram pela avaliação de investidores onde em três minutos tiveram que fazer um pitch individualmente. Normalmente são feitas três rodadas. A partir da média das notas nessas avaliações, entre dez e doze startups finalistas são selecionadas para se apresentarem para uma banca inteira de investidores. A próxima edição na capital acontece em novembro.

Você já pensou que pode ser um mentor?

Não duvide da sua capacidade. Você tem potencial para ser um mentor. Se você tem boas experiências na sua área, elas são inspiradoras e podem ajudar outra pessoa, você pode ser o mentor de alguém para um determinado assunto. Quer um exemplo? Eu como jornalista posso ser mentora de um estudante de jornalismo que quer entender um pouco melhor como funcionam os primeiros anos da carreira. Já esse aluno pode servir de mentor em algumas conversas com um colegial que pretenda prestar o vestibular para jornalismo. Esse, por sua vez, pode dar dicas de como estudar para o vestibular e enfrentar esse período atribulado para um aluno do Ensino Fundamental. E assim segue o ciclo para qualquer assunto. Veja uma lista interessante de mentores e mentorados para se inspirar:

  • Steve Jobs como mentor de Mark Zuckerberg – CEO do Facebook
  • Michael van der Peet como mentor da Madre Teresa de Calcutá (até ela entendia a necessidade de um mentor)
  • Christian Dior como mentor deYves St. Laurent.
  • Ray Charles como mentor de Quincy Jones (Lembra de “We are the World” ?).
  • Mel Gibson como mentor do ator falecido, Heath Ledger
  • Fidel Castro como mentor de Hugo Chavez
  • Socrates como mentor de Platão
  • E o mais lendário mentor – Mestre Yoda e Luke Skywalker

Fonte: Mentoring & Carreira

Quer saber mais sobre mentoria? Quer ser um mentorado? #vemproviveiro conversar sobre esse e tantos outros assuntos bons. A gente te espera pra um café.

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